Josh Kiszka do Greta Van Fleet: a voz do Rock Clássico em 2019

Josh Kiszka do Greta Van Fleet: a voz do Rock Clássico em 2019

Se você é fã de Rock Clássico e viveu em 2019, certamente ouviu falar no nome Josh Kiszka, do Greta Van Fleet. E olha… foi incrível o que eu vi de amor e ódio relacionado à banda nesse ano. E arrisco dizer que ainda mais relacionado ao vocalista!

Para muitos, os quatro rapazes são simplesmente uma cópia de grandes bandas de Rock Clássico. Para outros muitos, o grupo é aquele que trouxe o Rock como um todo de volta ao mainstream e abrindo os olhos de muita gente que dizia que o gênero morreu.

Em uma entrevista, a banda até falou que a principal referência deles é o Aerosmith. No entanto, várias pessoas não engoliram essa situação muito bem (digamos assim) por verem muito mais semelhança entre a banda e o Led Zeppelin.

Pessoalmente, eu também acredito que os músicos formam um som similar ao Led, mas acho que o primeiro impacto vem logo de cara por causa do Josh Kiszka, vocalista do Greta Van Fleet. Falarei um pouco sobre isso nesse texto, abordando algumas das suas principais características vocais, história e um pouquinho mais.

Josh Kiszka, Greta Van Fleet e a Carminium

Eu tenho influências similares às do Josh Kizska e acredito que levo um pouco mais desse lado na Carminium. Apesar de não soar tão clássico quanto ele, peguei uma boa dose dos anos 70 na Train Of Souls:

O timbre do Josh Kiszka

Eu não sou um exímio analista vocal, mas posso dar uns palpites aqui com base no que eu conheço sobre o assunto. O que eu tenho certeza é que Josh Kiszka é claramente um tenor e eu diria que pode até mesmo ser um contratenor.

Josh Kiszka do Greta Van Fleet
Josh Kiszka

Sua voz passeia muito pelas regiões agudas e parece que ele se sente confortável por ali. O cantor teve um problema vocal no fim do ano passado, mas confesso que não sei se foi causado por extremo esforço ou não.

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De qualquer forma, suas apresentações em estúdio aparentam uma qualidade vocal bem definida e com bastante clareza nos agudos. Ele sabe “mixar” muito bem o TA e o CT, mas eu percebo uma certa ação maior do CT nos agudos, se comparado a alguns vocalistas.

Falando bem grosseiramente, o CT tem uma característica mais suave, digamos assim. Isso faz com que a sua voz soe mais leve, lembrando nomes como Geddy Lee, Steve Perry e Robert Plant, além de claro do seu grande uso da ressonância nasal.

Compare por exemplo os agudos de Josh Kiszka no Greta Van Fleet com os agudos do Dio no Rainbow

Percebe como o Josh tem um pouco mais de nasal, na voz? Não confunda nasal com fanho, a questão maior é a diferença do brilho e da emissão entre os dois vocalistas.

Se compararmos com o Steve Perry, por exemplo, você perceberá melhor essa sensação anasalada. Dá uma ouvida na After The Fall e vê se o timbre não lembra um pouco da voz na Talk On The Street e em vááárias outras músicas da banda.

E essa característica, obviamente, não é demérito nenhum. Pelo contrário! São apenas referências que se assemelham a voz dele e que, provavelmente, o influenciaram ao longo da construção do próprio timbre.

Farei alguns outros comentários sobre a voz dele ao longo deste artigo, fazendo paralelos. Mas antes, vamos ao que eu sei que você estava esperando…

Josh Kiszka, Greta Van Fleet x Robert Plant, Led Zeppelin

Vamos tirar esse elefante branco da mesa? Não acredito que ninguém que ouviu o Josh Kiszka no Greta Van Fleet não o tenha comparado com o Robert Plant nos seus tempos áureos de Led Zeppelin.

E antes de tudo eu preciso começar dizendo que quando ouvi a banda pela primeira vez achei que o som poderia ser um outtake do Led Zeppelin. Claro, principalmente por causa do timbre do Josh Kiszka no Greta Van Fleet.

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Muitas pessoas falam isso por causa dos agudos, mas eu prefiro até mesmo iniciar essa comparação falando dos graves. Na Safari Song, primeira faixa do EP From The Fires, ouvimos um agudo com bastante logo de cara, mas depois Josh Kiszka segue os primeiros versos em uma linha mais grave.

Vai ouvindo a música desde o início e preste atenção nos 40 segundos, quando ele fala “I said to my home”:

Agora compare com a frase “I am to know” que, coincidentemente, também aparece aos 40 segundos da The Rain Song.

Embora Plant faça uma frase bem mais suave nessa música, a abertura de ambos é muito similar. E isso acontece muitas outras vezes quando o Josh Kiszka do Greta Van Fleet chega nos graves.

Quer mais uma comparação? Então ouça os primeiros versos de Going To California e perceba a similaridade nos graves:

Outra característica que eu acho muito marcante entre os dois vocalistas é o uso do Yodel. Em alguns trechos da Time Is Gonna Come, como em 1:06, alguns trechos muito limpos e bem executados da técnica aparecem. Dá uma ouvida:

Vejam a mesma técnica executada por Robert Plant no final da You Shook Me de um jeito mais agressivo e com um pouquinho de drive:

É claro que nenhum dos dois vocalistas são “yodellers” (é assim que se chama?) e eles não ficam usando esse recurso a todo momento. Até porque, eu acho que algo como no exemplo abaixo não encaixaria muito bem no som deles hehe…

O que realmente me chamou a atenção é que eu não ouvi tantos vocalistas de rock, seja no Heavy Metal, no Classic Rock etc que utilizam esse técnica com certa constância. Eu até já ouvi em exemplos fora do rock e não tão caricatos, como o som abaixo, mas raramente dentro do gênero.

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Por fim, você certamente percebeu a similaridade nos agudos se ouviu por inteiro as músicas acima cantadas pelo Josh Kiszka no Greta Van Fleet. Eu acho que é possível ter um bom comparativo entre os dois timbres agudos ouvindo a Black Dog:

Anthem Of The Peaceful Army: uma evolução

Quero abrir um outro subtítulo para esse álbum, pois eu enxerguei uma certa evolução na identidade tímbrica do Josh Kiszka no Greta Van Fleet. Não vou colocar nenhuma faixa específica aqui, mas percebi um certo aumento do peso nos agudos da voz dele.

Isso me lembrou bastante o Geddy Lee, como já tinha dito em algum momento nesse artigo. Claro, principalmente em algumas fases bem agudas do seu canto, como em Fly By Night:

Um outro fato que eu também percebi na voz dele, mas não especificamente nesse álbum é o uso de um drive similar ao do Rob Halford. Não sei exatamente o nome técnico, mas acho que você vai perceber logo nos primeiros agudos estendidos da Painkiller haha

Fiz muitas comparações nesse artigo, mas quero deixar uma observação: nenhuma delas tira o demérito do Josh Kiszka no Greta Van Fleet. São apenas impressões sobre a voz dele e que muito provavelmente moldaram um pouco do seu estilo.

Integrantes do Greta Van Fleet
Greta Van Fleet em ação

Além disso, ele fez ótimas linhas vocais pra uma banda ouvida por milhares de pessoas. E, assim como outras bandas atuais que trazem um pouquinho do clássico, tenho certeza que o nome dele e do Greta já estão marcados na história.

Mas e você, o que acha sobre a voz dele? Bom ou ruim? Muito parecida com a de outros grandes vocalistas ou tem identidade própria? Percebe alguma outra coisa além do que foi mencionado aqui? Deixa um comentário aí!

Cláudio Feitosa

Vocalista e tecladista da Carminium, fã de Rock Clássico, filmes e culinária. Vascaíno sofredor nas horas vagas

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